NATAL DO SENHOR (NOITE)
Is
9,1-3.5-6; SI 95; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14
A liturgia
desta noite fala-nos de um Deus que ama os homens; por isso, não os deixa
perdidos e abandonados a percorrer caminhos de sofrimento e de morte, mas envia
“um menino” para lhes apresentar uma proposta de vida e de liberdade. Esse
menino será “a luz” para o povo que andava nas trevas.
A primeira
leitura anuncia a chegada de “um menino”, da descendência de David, dom de Deus
ao seu Povo; esse “menino” eliminará a guerra, o ódio, o sofrimento e
inaugurará uma era de alegria, de felicidade e de paz sem fim.
O Evangelho
apresenta a realização da promessa profética: Jesus, o “menino de Belém”, é o
Deus que vem ao encontro dos homens para lhes oferecer – sobretudo aos pobres e
marginalizados – a salvação. A proposta que Ele traz não será uma proposta que
Deus quer impor pela força; mas será uma proposta que Deus oferece ao homem com
ternura e amor.
A segunda leitura lembra-nos as razões pelas quais devemos viver uma vida cristã autêntica e comprometida: porque Deus nos ama verdadeiramente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os valores deste mundo são passageiros; porque, comprometidos e identificados com Cristo, devemos realizar as obras d’Ele.
A segunda leitura lembra-nos as razões pelas quais devemos viver uma vida cristã autêntica e comprometida: porque Deus nos ama verdadeiramente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os valores deste mundo são passageiros; porque, comprometidos e identificados com Cristo, devemos realizar as obras d’Ele.
1ª Leitura Is
9,1-3.5-6;
Para
descrever a situação de opressão, de frustração, de desespero, de falta de
perspectivas, de desconfiança em relação ao futuro em que a comunidade nacional
estava mergulhada, o profeta fala de um “povo que andava nas trevas” e que
habitava “nas sombras da morte”. O panorama é sombrio e parece não haver saída,
pois os reis de Judá já provaram ser incapazes de conduzir o seu Povo em
direção à felicidade e à paz.
Mas, de repente, aparece uma “luz”. Essa luz acende a esperança e provoca uma explosão de alegria. Para descrever essa alegria, o profeta utiliza duas imagens extremamente sugestivas: é como quando, no fim das colheitas, toda a gente dança feliz celebrando a abundância dos alimentos; é como quando, após a caçada, os caçadores dividem a presa abundante.
Mas, de repente, aparece uma “luz”. Essa luz acende a esperança e provoca uma explosão de alegria. Para descrever essa alegria, o profeta utiliza duas imagens extremamente sugestivas: é como quando, no fim das colheitas, toda a gente dança feliz celebrando a abundância dos alimentos; é como quando, após a caçada, os caçadores dividem a presa abundante.
Mas por que
essa alegria e essa felicidade? Porque o jugo da opressão que pesava sobre o
Povo foi quebrado e a paz deixou de ser uma miragem para se tornar uma
realidade. No quadro que representa a vitória da paz, vemos os símbolos da
guerra (o pesado calçado dos guerreiros e as roupas ensangüentadas) a serem
destruídos pelo fogo. Quem é que provocou a alegria do Povo, derrotou a
opressão, venceu a guerra, restaurou a paz? O autor não o diz claramente; mas
ninguém duvida que tudo isso é ação do Deus libertador.
Como foi que Deus instaurou essa
nova ordem? Foi através de “um menino”, enviado para restaurar o trono de David
e para reinar no direito e na justiça (as palavras “mishpat” e “zedaqa”,
utilizadas neste contexto, evocam uma sociedade onde as decisões dos tribunais
fundamentam uma Rita ordem social, onde os direitos dos pobres e dos oprimidos
são respeitados e onde, enfim, há paz). O quádruplo nome desse “menino” evoca
títulos de Deus ou qualidades divinas (o título “conselheiro maravilhoso”
celebra a capacidade de conceber desígnios prodigiosos e é um atributo de Deus
– cf. Is 25,1; 28,29; o título “Deus forte” é um nome do próprio Jahwéh – cf.
Dt 10,17; Jr 32,18; Sl 24,8; o título “príncipe da paz” leva também a Jahwéh aquele
que é “a paz” – cf. Is 11,6-9; Mi 5,4; Zac 9,10; Sl 72,3. 7). Quanto ao título
“Pai eterno”, é um título do rei – cf. 1 Sm 24,12 – e é um título dado ao faraó
nas cartas de Tell el-Amarna). Fica, assim, claro que esse “menino” é um dom de
Deus ao seu Povo e que, com Ele, Deus residirá no meio do seu Povo,
oferecendo-lhe cada dia a justiça, o direito, a paz sem fim.
SALMO
RESPONSORIAL – Salmo 95 (96)
Refrão:
Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.
2ª Leitura Tt
2,11-14
Neste
fragmento, verdadeiro centro e coração de toda a carta, o autor tenta dar aos
cristãos razões válidas para viver uma vida cristã autêntica e comprometida.
Quais são essas razões?
A primeira é
o amor (“kharis”) de Deus, que foi oferecido a todos os homens. É esse amor que
possibilita a renúncia à impiedade e aos desejos deste mundo e a vivência da
temperança, da justiça e da piedade; sendo os destinatários desse amor
transformador e renovador, temos de viver uma vida nova e comprometida com o
Evangelho.
A segunda é a esperança na manifestação gloriosa de Cristo, que convida os homens a perceber que a terra não é a sua pátria definitiva; quem espera a segunda vinda de Cristo, percebe que só faz sentido olhar para os bens essenciais; conseqüentemente, desprezará os bens materiais, que só interessam a este mundo.
A segunda é a esperança na manifestação gloriosa de Cristo, que convida os homens a perceber que a terra não é a sua pátria definitiva; quem espera a segunda vinda de Cristo, percebe que só faz sentido olhar para os bens essenciais; conseqüentemente, desprezará os bens materiais, que só interessam a este mundo.
A terceira é
a obra redentora levada a cabo por Cristo. Cristo entregou-Se totalmente, até a
morte, para nos salvar do egoísmo, do orgulho, do pecado e para fazer de nós
homens novos. Ligados a Ele pelo batismo, tornamo-nos um com Ele e recebemos
vida d’Ele… Se estamos ligados a Cristo e se recebemos d’Ele vida, essa vida
tem de manifestar-se na nossa existência diária.
ALELUIA
– Lc 2,10-11
Aleluia. Aleluia.
Anuncio-vos uma grande alegria:
Hoje
nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.
EVANGELHO – Lc 2,1-14
A primeira
indicação importante vem da referência a Belém como o lugar do nascimento de
Jesus… É uma indicação mais teológica do que geográfica: o objetivo do autor é
sugerir que este Jesus é o Messias, da descendência de David (a família de
David era natural de Belém), anunciado pelos profetas (cf. Miq 5,1). Fica,
desta forma, claro que o nascimento de Jesus se integra no plano de salvação
que Deus tem para os homens – plano que os profetas anunciaram e cuja realização
o Povo de Deus aguardava ansiosamente.
Uma segunda
indicação importante resulta do “quadro” do nascimento. Lucas descreve com
algum pormenor a pobreza e a simplicidade que rodeiam a vinda ao mundo do
libertador dos homens: a falta de lugar na hospedaria, a manjedoura dos animais
a fazer de berço, os panos improvisados que envolvem o bebê, a visita dos
pastores… É na pobreza, na simplicidade, na fragilidade, que Deus se manifesta
aos homens e lhes oferece a salvação. Os esquemas de Deus não se impõem pela
força das armas, pelo poder do dinheiro ou pela eficácia de uma boa campanha
publicitária; mas Deus escolhe vir ao encontro dos homens na simplicidade, na
fraqueza, na ternura de um menino nascido no meio de animais, na absoluta
pobreza. É assim que Deus entra na nossa história… É assim a lógica de Deus.
Uma terceira
indicação é dada pela referência às “testemunhas” do nascimento: os pastores.
Trata-se de gente considerada rude, violenta, marginal, que invadiam com os
rebanhos as propriedades alheias e que tinham fama de se apropriar da lã, do
leite e das crias do rebanho em benefício próprio. Eram, com freqüência,
colocados ao lado dos publicanos e dos cobradores de impostos pela rígida moral
dos fariseus: uns e outros eram pecadores públicos, incapazes de reparar o mal
que tinham feito, tantas eram as pessoas a quem tinham prejudicado. Ora, Lucas
coloca, precisamente, esses marginais como as “testemunhas” que acolhem Jesus.
O evangelista sugere, desta forma, que é para estes pecadores e marginalizados
que Jesus vem; por isso, a chegada de um tal “salvador” é uma “boa notícia”: a
partir de agora, os pobres, os débeis, os marginalizados, os pecadores, são
convidados a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Eles vêm ao
encontro dessa salvação que Deus lhes oferece, em Jesus, e são convidados a
integrar a comunidade da nova aliança, a comunidade do “Reino”.
Uma quarta indicação aparece nos
títulos dados a Jesus pelos anjos que anunciam o nascimento: Ele é “o salvador,
Cristo Senhor”. O título “salvador” era usado, na época de Lucas, para designar
o imperador ou os deuses pagãos; Lucas, ao chamar Jesus desta forma,
apresenta-O como a única alternativa possível a todos os absolutos que o homem
cria… O título “Cristo” equivale a “Messias”: aplicava-se, no judaísmo
palestinense do séc. I, a um rei, da descendência de David, que viria restaurar
o reino ideal de justiça e de paz da época davídica; dessa forma, Lucas sugere
que o “menino de Belém” é esse rei esperado. O título “Senhor” expressa o
caráter transcendente da pessoa de Jesus e o seu domínio sobre a humanidade.
Com estes três títulos, a catequese lucana apresenta Jesus aos homens e define
o seu papel e a sua missão.
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