A FOME DO MUNDO
A liturgia apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos
sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o
alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
1ª. Leitura Isaías 55, 1-3 “vinde comer, vinde beber”
O sonho de Deus se concretiza quando nós experimentamos a
verdadeira felicidade e abraçamos a Sua Salvação. As bênçãos e as graças do
Senhor estão destinadas a todas as pessoas que são dóceis ao Seu chamado. Por
meio da Sua Palavra o Senhor faz conosco um pacto eterno de amor, fartura e
felicidade. Nesta leitura Ele nos acena com expressões cheias de esperança:
“Vinde”, beber; “vinde” comer; vocês não precisam gastar dinheiro porque tudo o
que Eu vos dou é de graça! A única coisa que nós precisamos fazer é “ouvi-Lo
com atenção” e assim, nós teremos a vida. Não podemos nos queixar de que não
temos ninguém ou que somos solitários (as), pobres e desprezados (as), porque
Aquele que nos criou nos anima com palavras de vida eterna e abastece a nossa
alma com o alimento que revigora também o nosso corpo.
Salmo 144 – “Vós abris a vossa mão e saciais os vossos
filhos”.
O alimento que o Senhor nos oferece é misericórdia e
piedade, é amor, é paciência, é compaixão como nos fala o salmista. Por isso,
os nossos olhos se voltam para Ele, e, no tempo certo, nós recebemos o nosso
quinhão. Perto do Senhor nós temos fartura de bênçãos e podemos caminhar em
busca da santidade com fidelidade ao Seu amor.
2ª. Leitura – Romanos, 8,35.37-39 – “nada nos separará do
amor de Cristo”
O amor de Deus por nós se manifesta em Jesus Cristo e é por
isso, que nada nos separará do Seu Amor. Jesus Cristo é a manifestação do amor
do Pai por nós e, se disso nós tivermos consciência, nenhum temor poderá nos
sobressaltar. A morte, a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a
nudez, o perigo, a espada, são situações pelas quais nós com certeza, ou já
passamos ou ainda iremos experimentar. No nosso dia a dia, nos pequenos ou nos grandes
contratempos nós já tivemos experiência com esse estado de espírito.
Entretanto, a nossa convicção em relação ao amor de Jesus Cristo que morreu por
nós na Cruz, nos faz cantar a vitória final. Em Jesus somos mais que vencedores
e detentores do galardão da ressurreição. Não importa o que passou nem tampouco
o que virá se hoje, nós contamos com a ajuda e a proteção de Jesus. Nessa
perspectiva, nós podemos estar preparados (as) para enfrentar a altura, a
profundeza, e até mesmo as criaturas, pois nenhuma delas poderá nos separar do
amor de Deus que se revela em Jesus Cristo, nosso Senhor!
Evangelho - Mateus 14, 13-21 - "todos se fartaram"
Neste Evangelho Jesus nos dá uma grande lição de
solidariedade humana, quando rejeitou a ideia dos Seus discípulos para que
“despedisse as multidões”. Quantas vezes nós queremos nos ver livres dos
problemas e também “despedimos” as pessoas porque elas são empecilhos à nossa
missão, à nossa caminhada. As pessoas vêm famintas, precisando da nossa ajuda e
nós fazemos vista grossa às suas dificuldades, achando que não somos capazes de
ajudá-las, porque temos muito pouco tempo ou mesmo porque somos pequenos e
limitados. Jesus diz hoje á nós também: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes
vós mesmos de comer! ” O Senhor nos manda sentar para que possamos parar e
refletir sobre a nossa vida, partilhando e dividindo com as outras pessoas os
nossos planos e sonhos. Tudo isso, dentro da perspectiva de Deus e à luz da Sua
Palavra e dos Seus ensinamentos. Hoje também, como ontem, há muita relva, isto
é, espaço, ocasião, oportunidade para que, reunidos, nós possamos descobrir os
nossos dons, talentos, aptidões, riquezas e bens espirituais, que são os nossos
cinco pães e dois peixes. Ao tomar os pães e os peixes nas mãos e dar graças ao
Pai, Jesus nos deu o exemplo de como poderemos fazer aumentar os nossos
talentos para dar de comer aos famintos. O Senhor nos concede a Sua Palavra
como pão que alimenta a nossa alma e com ela também nós podemos fartar as
pessoas que estão com fome. Além disso, temos a doar saúde, paz, alegria,
juventude e a nossa capacidade de olhar, de sorrir, de cantar, de amar, de
sonhar e de desejar.

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